Entrevista com Alberto Peixoto

Abaixo está a entrevista que realizei com Alberto Peixoto, triatleta e apaixonado por corridas de longas distâncias.

Em seu blog ( http://overrunning.blogspot.com.br/ ) pode-se ler muito de suas experiências e dicas de corridas, pedaladas e natação.

Alberto, muito obrigado pelo carinho em me atender e pelas respostas.. e espero que gostem.

01 – Alberto, como Ultramaratonista e Triatleta vegano gostaria de saber como se compõem sua alimentação antes, durante e após os treinos. Você faz uso de suplementação?

A alimentação depende muito do tipo de prova e da estratégia, mas em geral: Eu uso banana passas (bananinha), lanche de tofu, frutas (laranja, banana, melancia), gel de carbohidrato quando não tenho outra opção.

Todos os líquido com exceção aos refrigerantes e aos isotônicos tipo gatorade com corantes… Prefiro sempre os de limão, por não terem quase corantes…

02 – Em seu “formspring” (http://www.formspring.me/apeixoto22/q/1355510898) você informa que o Veganismo ajuda a manter uma relação mais balanceada e aproveita melhor os alimentos. No mundo das corridas, principalmente de longas distâncias, tenho observado bastante o interesse de corredores em uma alimentação vegetariana, não só pela questão de performance como também em respeito aos animais. Seja porque a corrida proporcione um melhor contato com a natureza, seja em relação à performance, gostaria de saber qual sua visão em relação ao Veganismo e os direitos animais nas demais modalidades?

Essa é a questão da liberação animal, isto é, todos liberacionistas acreditam que os interesses individuais dos animais não-humanos merecem reconhecimento e proteção.

Mais informações podem ser obtidas nas seguinte organizações que lutam pela liberação dos animais:

Animal Liberation Front

Center on Animal Liberation Affairs

Gato Negro

Igualdad Animal

Instituto Nina Rosa

Libera!

Movimento Internacional em Defesa dos Animais

PETA

União Libertária Animal – ULA

03 – Alberto, ainda sobre corridas qual o calçado que você utiliza para seus treinos e competições? E quais dicas você pode nos passar em relação aos calçados para quem está iniciando em corridas ou para aqueles que estão objetivando maiores distâncias?

Sou pronador e uso preferencialmente Asics Kayano… Mas, em provas como UTMB utilizei o SALOMON

Minha recomendação é a seguinte:

1)Verificar o tipo de pisada

2) Comprar o tênis certo para sua pisada e seu propósito (distância, peso, terreno e etc…)

3) Ter sempre vários pares de tênis disponíveis para treinos e competições

04 – Alberto, como é composto ou dividida sua rotina de treinos? Você se utiliza de outros treinos (musculação, yoga, pilates, etc.. ) para melhor rendimento como triatleta?

Meu treinador envia a planilha no domingo com os treinos de natação, corrida e ciclismo para a semana.

Os treinos são divididos em dois horários: manhã e tarde

Natação: Segunda, Quarta e Sexta pela manhã

Corrida: Terça (pista de atletismo), Quinta (transição: pedal-corrida) e Domingo (longão) pela manhã

Pedal: Treino no rolo na terça, quarta,  quinta e pego  pista (estrada) no sábado.

Não tenho outras atividades no momento…

05 – Sobre ciclismo, qual a bicicleta que você utiliza, o que leva para os treinos e para sua provas e, qual as principais considerações que você pode nos passar em relação a uma boa pedalada?

Tenho uma SCOTT Plasma… Para uma boa pedalada é importante fazer um bom bikefit e começar a treinar visando um objetivo…

06 – Em seu blog pode se ler muitas frases e ver vídeos de motivação e inspiração. Você que teve seu primeiro Ironman ano passado, que já participou da BR135 pode nos dizer: o que te motiva a ir tão longe?

Gosto de desafios… Gosto de superar meus limites e isso me move cada vez mais longe…

07 – Alberto, para finalizar, gostaria que nos deixasse um pouco de sua experiência aos que estão começando nestas modalidades.

Importante é fazer aquilo que nos deixa feliz… Temos que ter cuidado com os modismos e a mídia que as vezes vende uma idéia não muito razoável do que é o esporte…

CICLISMO: treinamento, fisiologia e biomecânica

CICLISMO: treinamento, fisiologia e biomecânica - Thiago Faria, Rafaella Della Giustina e José Rubens D´elia Uma boa leitura para quem quer começar a pedalar e muito pouco conheçe sobre o ciclismo e a bicicleta. O livro é assinado pelos autores: Thiago Faria, Rafaella Della Giustina e José Rubens D´elia,  conta detalhadamente o que é uma bicicleta speed, como acertar o selim, como escolher o quadro, etc…  além de trazer um pouco sobre a mecânica do movimento na pedalada e nutrição.

 

Eu, particularmente, não gostei muito pois acredito que se você deseja pedalar uma speed e sair por ai cortando estradas, o melhor a ser feito é procurar  um pelotão (ou outros cicclistas) onde você possa se integrar, pedalar com um frequência juntos ou nos locais de treinos. Assim, conhecendo pessoas, conhecendo-se a si mesmo e a própria bicicicleta, o conhecimento sobre a modalidade é melhor absorvido e você já entra em um ritmo legal de aprendizado e prática. Claro, em minha opnião.

 

 

 

Atletas Chineses diminuíram o consumo de carne nas Olimpíadas

Segundo a VegWire, os atletas chineses – compõem-se em  mais de 700 atletas que vão para Londres em 2012 – não farão o uso de carne na alimentação durante as Olimpíadas em Londres, ou seja, terão um dieta totalmente vegetariana.

Yang Hongbo, chefe de cozinha da delegação chinesa, disse na matéria que  não tem como garantir que não haja a presença de hormônios que podem levar a equipe de atletas chineses a falhar no doping.

A ractopamina já é proíbida na China, já no Brasil e EUA é utilizada para a promoção de crescimento no suínos. Enquanto o Clenbuterol, também apontado por Yang na matéria, apesar de ter seu fim para uso respiratório em humanos e não humanos, tem, em sua  propriedade, a capacidade de  aumento do tecido muscular, sendo assim, tem seu fim uitlizado para a engorda de aves, gado e suínos.

A matéria completa pode ser vista aqui!

Entrevista com o Triatleta, Ultramaratonista e Vegan Daniel Meyer

Recentemente encaminhei um e-mail ao Daniel logo que comecei a “postar” neste blog. Sempre acompanhei seu blog onde encontrei muitas coisas ali que uso e já usei. Quando vi sua resposta, fiquei feliz e admirado pela pessoa simpática que ele é.

Aos que não conhecem, Daniel Meyer é Triatleta e Ultramaratonista. Vegan desde de 2005, possuí o Blog Daniel Meyer Força Vegana, tem o apoio do Vista-se e, em sua página no Vista-se pode-se ler ( de suas próprias palavras):

“….Existem pessoas que nasceram para pintar, cantar, tocar, outras para exercer a medicina, engenharia e por aí vai. Eu, nasci para fazer triathlon e, hoje só me empenharei em algo que fizer meus olhos brilharem e meu coração bater mais forte.”

Assim, eu pensei em realizar uma entrevista com ele, mesmo que as perguntas sejam mais minhas dúvidas mesmo, Daniel me respondeu com muita atenção e apoio para minha “vida amadora de atleta” e para minha iniciativa em criar este blog.

Gostaria de agradecer ao Daniel Meyer por ter participado da entrevista e também pelos conselhos e experiências que compartilham conosco em seu blog.

Segue a entrevista, espero que gostem =D

Crédito da Foto( Cesar Carvalho e Murilo Rafael de Souza)

Crédito: Cesar Carvalho e Murilo Rafael de Souza

1 – Daniel, recentemente você colocou um post em seu blog sobre o New
Balance Minimus e, em seu mesmo blog, você já havia comentado sobre o usado Five Fingers.
O que eu gostaria de saber é, você já vem usando o New Balance Minumus? Se sim, quais suas impressões sobre ele? Em relação ao Five Fingers,
você já colocou uma avaliação em seu blog em agosto de 2011. Assim, 
gostaria de saber, se você faz treinamentos de corridas descalços e porquê? 

Não, ainda não tive a oportunidade de correr com o NB Minimus. Minha      intenção era adquirir o modelo voltado para corridas off road da linha  Minimus, visto que, em boa parte destas provas torna-se muito difícil correr    descalço ou com o VFF (Vibram Five Fingers) e obter o melhor desempenho possível. Ano passado arrisquei correr a K42 Adventure Marathon em Bombinhas com o VFF Sprint e tive muita dificuldade para suportar a dor na sola dos pés nos 12km finais da prova. Desde então, tenho procurado o calçado ideal para este tipo de competição, procuro algo que proporcione proteção ao pé, mas que ao mesmo tempo seja muito leve, flexível e com solado bem baixo, tudo que o Minimus me parece ser. Só não comprei o Minimus ainda por causa do preço, muito acima do que me disponho a pagar por um tênis. Até hoje jamais comprei um tênis por mais de R$250,00 e, mesmo sendo triatleta e ultramaratonista, compro somente 1 ou 2 pares de tênis por ano!

Aproximadamente, realizo 80% dos meus treinos de corrida descalço, 15% com o VFF e somente 5% com tênis convencionais de perfil baixo. Não tenho dúvidas em afirmar que correr descalço é mais eficiente, porém, não é possível correr descalço em qualquer lugar, por isso minha segunda opção é o VFF, que realmente proporciona quase todos os benefícios de se correr descalço com a vantagem de proteger o pé. Só tenho utilizado tênis mesmo, em terrenos muito ruins, distâncias muito longas ou em provas de triathlon curtas, onde uma transição veloz, ou seja, onde calçar o tênis rápido é de suma importância.

É interessante ressaltar que, desde que passei a correr quase exclusivamente descalço, me curei progressivamente de três lesões (tendinites) crônicas, nos tendões do calcâneo, nas laterais do joelho e no púbis! Coincidência ou não, fato é que, correr descalço, só me trouxe alegrias, sobretudo na questão econômica! rsrsrsrs

2 - Daniel, ainda em relação aos tênis de corrida, qual sua opinião sobre o mercado de tênis para corrida e, o que um iniciante ( vegan )
deve prestar atenção ao ambicionar corridas mais longas?

Felizmente hoje em dia, existem muitas opções de tênis que podem ser considerados veganos, no entanto, ainda não conheço uma marca de calçados esportivos com uma proposta totalmente vegana, me parece que todas elas possuem alguns modelos com componentes de origem animal. Ao procurar um tênis para corrida, primeiramente escolha o que mais te agrada, só então, olhe as informações sobre os materiais que compõem o tênis e na falta de informações precisas e detalhadas, entre em contato diretamente com o fabricante para saber se o calçado possui ou não componentes de origem animal. Lembrando que na maioria das vezes é preciso ser persistente para conseguir informações corretas dos fabricantes. A maioria das marcas de tênis deixa muito a desejar neste aspecto, geralmente fornecendo informações imprecisas e demorando muito para responder. Mas sempre vale à pena demandar um pouco mais de tempo e ter a certeza de estar comprando um produto isento de crueldade. Os calçados que utilizo para correr no momento são, VFF Sprint, VFF Bikila e Olympikus Rio. Para qualquer tipo de corrida e para a maioria das pessoas, eu sempre recomendo os tênis de solado bem baixo, mas se você está acostumado com tênis pesados com solado mais alto, principalmente no calcanhar, vá com calma, provavelmente será preciso um bom tempo de adaptação.

3 - Daniel, o que mais me admira em seus posts é o “compartilhamento” de sua alimentação e, principalmente, sua alimentação durante as provas. Apesar de eu haver lido,
 recentemente, sobre o uso de suplementos que você estaria utilizando e
, sendo patrocinado até, gostaria de saber se, para nós atletas amadores
 (vegans), você considera que seja importante o uso de suplementos ou se, tendo
 conhecimento sobre uma dieta equilibrada e, até mesmo, acompanhamento nutricional, uma alimentação 
natural, sem a necessidade de uma suplementação por meio de produtos industrializados, já seja o suficiente em atividades que exijam resistência?

Créditos: Cesar Carvalho e Murilo Rafael de Souza

Vou expressar minha opinião sobre esse assunto, de forma bem clara e direta. Suplementos esportivos podem ser úteis dependendo do caso, mas não são de forma alguma uma necessidade! É possível sim, para atletas de endurance veganos, amadores ou profissionais, atingirem excelentes níveis de desempenho esportivo com uma dieta vegana simples, barata e variada. Com exceção à vitamina B12, nenhum outro nutriente precisa ser suplementado, nem a tão badalada e comentada proteína, pois uma alimentação vegana supre com excelência nossas demandas por aminoácidos, sem qualquer necessidade de combinações mirabolantes de alimentos. Em mais de 7 anos como triatleta e ultramaratonista vegano, utilizei suplementos proteicos por pouquíssimos meses. Meu estilo de vida simples e tranquilo, definitivamente não demanda a utilização de qualquer tipo de suplemento salvo a vitamina B12 que não pode ser encontrada em alimentos de origem vegetal não fortificados.

Em termos gerais o foco dos atletas de endurance veganos ou não deve ser em manter uma ingestão elevada em carboidratos, moderada/baixa em proteínas e baixíssima em gorduras. O interessante é que uma dieta vegana natural possui exatamente essa configuração de macronutrientes.
Minha dica para atletas de endurance é a seguinte, abandone o máximo possível os alimentos industrializados e sempre que possível, compre a matéria-prima e cozinhe em casa, será sempre mais barato e saudável. Abuse dos cereais integrais, frutas, legumes e verduras, manere nas nozes, sementes e castanhas e reduza ao mínimo o consumo dos óleos. Esse é o caminho para a aquisição de um corpo magro, forte e resistente, que é a base para o sucesso em provas de endurance.

É importante entender que uma alimentação equilibrada e saudável não significa necessariamente, que você tenha que se abster de tudo que é industrializado, processado ou refinado. Existe espaço para todos estes alimentos dentro de uma dieta balanceada. Se você conseguir se abster de tudo isso, muito bom! Mas sabendo incluir os alimentos industrializados, em minha opinião, não haverá prejuízo para sua saúde e desempenho esportivo. Eu por exemplo, consumo alimentos refinados como macarrão, farinha de trigo e açúcar, mas de forma planejada, em geral utilizo açúcar refinado somente nas preparações de final de semana, onde dou uma relaxada na alimentação.

Se você está procurando a melhor relação entre custo e benefício, foque toda sua atenção e dinheiro, na alimentação e não na suplementação.

Por outro lado, esportistas veganos de modalidades em que uma massa muscular avantajada e um percentual de gordura baixíssimo são necessários, como no caso dos fisiculturistas, eu diria que a suplementação proteica é quase indispensável, caso queiram é claro, atingir o melhor desempenho esportivo possível. Não estou dizendo que não seja possível adquirir massa muscular com uma dieta vegana simples sem suplementos. Muito pelo contrário, eu, por exemplo, sempre tive um biótipo muito mais musculoso do que magro e, com minha esposa não é diferente, ela também é vegana há mais de 7 anos, nunca utilizou nenhum suplemento (exceto vit. B12) e mesmo sendo atleta de endurance é difícil encontrar mulheres com pernas tão fortes como as dela!

Mas no caso dos fisiculturistas veganos, a suplementação se faz necessária porque a dieta vegana é naturalmente moderada em proteínas, o que não atenderá as exigências competitivas da modalidade que, demanda um aumento de massa muscular extraordinário! Ao contrário do que muita gente pensa, a dieta vegana por si só não emagrece, o que emagrece é ingerir menos calorias do que se gasta. Minha maior dificuldade como atleta de endurance é, justamente emagrecer (eu como muito!).

Lembrem-se, um bom profissional da área da saúde, de preferência especializado em nutrição vegetariana, pode nos ajudar muito!

Mas precisamos romper essa dependência absurda e doentia em que vivemos hoje, em relação a esses profissionais. Cadê a autonomia das pessoas!? Parece que ninguém mais é capaz de chamar a responsabilidade sobre sua saúde para si, é sempre mais fácil pagar alguém para resolver as coisas, mas no final das contas, os profissionais poderão nos apontar um caminho, mas percorrê-lo, sempre caberá a nós mesmos. Com um pouco de boa vontade, estudo e percepção corporal, na maioria das vezes podemos decidir sozinhos o que é melhor para cada um de nós, estabelecendo nosso próprio ritmo e estilo de vida.

4 - Daniel, recentemente, diante de alguns maratonistas, fui alvo de piadas e descrença quando afirmei que minha base alimentar era o grão-de-bico (que, particularmente,gosto muito =D). Gostaria de saber, se o fato de você expor e divulgar o veganismo e ser contra a crueldade em animais, acaba causando o mesmo ou semelhante desconforto vindo dos demais atletas?

Na verdade, como atleta vegano, surpreendentemente eu sempre fui muito respeitado. Em mais de 7 anos divulgando e promovendo o veganismo através do esporte, nunca fui alvo de piada, comentários maldosos ou qualquer outro tipo de insulto. Acredito fortemente que a forma como abordo e divulgo o movimento vegano, aliado a minha postura nas provas e alguns bons resultados que venho colhendo ao longo dos anos contribuem muito para isso. Em todas as competições que participo alguém vem falar comigo querendo saber mais sobre dieta vegetariana e veganismo. De um modo geral as pessoas estão muito mais receptivas e abertas, mas é claro que ainda existe muita gente que acredita que alimentos de origem animal, principalmente a carne seja indispensável à saúde e, ficam muito irritados se alguém os contraria. Mas os que agem dessa forma são sempre pessoas totalmente desinformadas (alienadas pela mídia) e viciadas nesses alimentos. Pessoas assim, simplesmente não conseguem imaginar viver sem comer carne, leite ou ovos, por isso ficam tão nervosas. Nestes casos é preciso ter paciência e debater o assunto de forma pacífica.

A melhor resposta que podemos dar aos irônicos e descrentes “onívoros de plantão” é a informação, é presentea-los com uma avalanche de informações contundentes à cerca da dieta vegetariana. Até hoje não teve um onívoro se quer, que após ter conversado comigo não tenha se convencido de que os alimentos de origem animal são completamente desnecessários. Sabe por quê? Por que isto é um fato, já está provado cientificamente e milhões de veganos, atletas ou não, vem afirmando isto dia após dia, exibindo mentes sãs e corpos saudáveis! Em minha família nem todos são veganos, mas hoje todos reconhecem a forma cruel de industrialização dos produtos de origem animal e sabem muito bem que os alimentos de origem animal não são uma necessidade, ou seja, convencidos eles estão, mas foram tão fortemente doutrinados a consumir estes produtos que simplesmente não conseguem (ou não querem) mudar. Mas pode ter certeza que se ao menos aos domingos ao invés do “Domingão do Faustão”, passasse na TV bons documentários sobre exploração animal como “Terráqueos”, todo mundo já teria virado vegano!

5 – Em um dos posts em seu blog, uma frase me chama a atenção, é:



“Houve um tempo, em que eu corria simplesmente para mim, até descobrir 
que, através do simples ato de correr poderia ser possível tocar a alma das pessoas, 
alcançar sua mais pura essência, instigando-as a experimentar os mais 
suaves e também mais intensos prazeres destinados àqueles que se entreguem 
a 
mais simples das atividades humanas, CORRER!” 



Dos três esportes que você compete, a corrida é a que mais lhe dá prazer?

    Eu sou simplesmente apaixonado pelo triathlon de longa distância, a complexidade, a dificuldade e o empenho necessário para se desenvolver em 3 modalidades, simplesmente me fascina! É no ciclismo que possuo o melhor nível técnico, mas sem dúvida alguma a corrida, pela sua simplicidade, é o que mais me dá prazer. Sou um amante das coisas simples, um apaixonado pela prática de esportes ao ar livre e filho da Mãe natureza. Para mim, correr não é opção, é necessidade!

6 – Daniel, o ciclismo é um esporte para mim muito prazeroso e ao mesmo
 tempo o mais caro em termos financeiros, devido ao alto custo das
 bicicletas e equipamentos.
 As bicicletas para provas específicas dos triatletas não fogem a esta
 regra. Assim, se possível, para nossa curiosidade, qual é sua bicicleta,
 relação e, o que você considera essencial em uma bicicleta para uma boa e longa pedalada?

Realmente os custos de uma bicicleta competitiva são bem elevados, no entanto, tento mesmo assim economizar o máximo possível, procurando escolher sempre aquilo me proporcionará o melhor custo/benefício. Passei 5 anos competindo provas de triathlon, incluindo 4 provas de Ironman, com uma TREK 1000 com os componentes mais simples possíveis e sem rodas e capacete aero. Consegui uma bicicleta competitiva somente em meados de março de 2011 graças ao eterno e incondicional apoio dos meus pais. Para poder treinar e competir em alto nível eu precisaria de 3 bikes, uma MTB para cross triathlon, uma road bike para treinos e provas curtas e uma bike TT (Time Trial), especial para triathlon de longa distância, mas hoje possuo apenas uma, a TT. Minha bike é uma Cannondale Slice modelo 2011, a mesma utilizada por Crissie Wellington (4xcampeã mundial de ironman) só que com componentes bem inferiores, tamanho 58 com grupo shimano 105 de 10v, relação 52-38 na frente e 25-12 atrás.

Continuo competindo sem rodas e capacete aero, algo que prejudica consideravelmente meu desempenho. Sem dúvida nenhuma a Cannondale Slice era na época o melhor custo/benefício oferecido pelo mercado e provavelmente ainda continua sendo.

Com minha antiga road bike Trek 1000, meu melhor tempo nos 180km do ironman foi 5h15’, algo em torno de 34,4km/h, no meu primeiro ironman com a bike TT Cannondale Slice, cravei 4h52’, 37km/h! Por isso não tenho dúvidas em afirmar que uma boa bicicleta faz muita diferença, mas ainda assim acredito que o essencial mesmo em uma bicicleta é o ciclista! Rsrsrs

Brincadeiras à parte, para uma boa e longa pedalada, você não precisa de uma SUPER BIKE, mas que ela seja uma bike para o seu tamanho e que esteja principalmente com a altura do selim e do avanço (mesa) corretos. Acredito que um bom bike fit seja muuuuito útil, apesar de eu mesmo nunca ter feito. Aprendi tudo sozinho através de bastante estudo e prática. Para treinar não precisamos de equipamentos caros, os simples atendem muito bem a necessidade, mas para competir, quase sempre equipamentos mais caros irão se traduzir em melhores desempenhos.

7 – Daniel, você comenta em seu blog sobre o Scott Jurek, ultramaratonista
 que também é citado no livro “Nascidos para correr”, o mesmo é vegan, 
assim como
 David Zabriskie, ciclista da elite da Garmin/Barracuda. Éder Jofre, 
vegetariano, atribuía sua performance na alimentação. 
Como você vê o veganismo e a causa da libertação animal no mundo dos
 esportes e, o que ainda pode ser feito para a divulgação do veganismo por 
meio do esporte? 

Eu vejo o esporte como uma grande vitrine, através da qual podemos promover e difundir o veganismo de uma forma contagiante! Os feitos de atletas veganos são fonte de inspiração e motivação para que muitos onívoros abandonem os alimentos de origem animal. A mídia parece não querer que as pessoas saibam que os produtos de origem animal são desnecessários, por isso as pessoas permanecem desconfiadas e até com certo medo de tornarem-se veganas. A mídia e os maus profissionais da área da saúde são os maiores responsáveis por amedrontar e alienar as pessoas à respeito da dieta vegetariana. Por outro lado, quando as pessoas veem atletas veganos saudáveis, fortes e resistentes competindo em alto nível, realizando façanhas incríveis e alcançando muitas vezes os lugares mais altos do pódio, o medo e toda a alienação dão lugar a vontade e o desejo de se tornar vegano e parar de compactuar com a exploração animal. Para tornarem-se veganas, a maioria das pessoas precisa apenas de informação e inspiração.

Infelizmente acredito que muito pouco esteja sendo feito dentro do esporte para a promoção do veganismo, principalmente por falta de apoio/patrocínio destinado a carreira dos promotores veganos no esporte, a comunidade vegana, precisa ainda, reconhecer o nosso verdadeiro valor para a erradicação da exploração animal no mundo! As empresas veganas, precisam reconhecer também, que ser atleta vegano é profissão! E sendo profissão, é preciso ter um salário. Somos atletas diferenciados, não estamos interessados em ganhar rios de dinheiro, ficar famosos ou conquistar o campeonato mundial a qualquer custo. Somos promotores de uma causa e de um estilo de vida pautado na compaixão, na sustentabilidade e na ética. Precisamos apenas do mínimo de reconhecimento e apoio financeiro para realizar nosso trabalho de forma eficaz.

8 – Daniel, quais são suas aspirações, inspirações e expectativas para o
 ironman, já que, em suas próprias palavras, me comentou ser o
” único triatleta vegano profissional competindo as provas mais importantes 
do país e disputando o circuito mundial de IRONMAN”?

Na verdade eu ainda não disputo circuito mundial de ironman como profissional. Até agora participei das competições como amador, no entanto, após alguns meses de reflexão no começo deste ano, decidi investir tudo na minha carreira como triatleta vegano profissional.

Vivendo e treinando como profissional eu já estou, mas ainda estou passando por uma fase de transição. E para disputar o circuito mundial de ironman entre os profissionais não basta querer, é preciso ter o currículo aprovado e para isto, preciso ainda mostrar bons resultados como amador nas provas do circuito mundial de ironman e apresentar também resultados expressivos competindo na ELITE em provas nacionais. Ou seja, preciso provar que mereço estar entre os melhores. Acredito fortemente que com apoio financeiro, conseguirei alcançar todos meus objetivos. A maior motivação na decisão de me tornar triatleta vegano profissional é dar ainda mais visibilidade ao veganismo. Mais do que vencer os atletas onívoros, meu principal objetivo é convencê-los e ajudá-los a se tornarem veganos.

São nas provas de ironman (3,8km de natação/180km de ciclismo/42,2km de corrida) que se concentram minhas mais ambiciosas expectativas. Vou trabalhar duro para cravar um tempo sub 9h no Iron Brasil de 2013. Este ano ainda pretendo participar do Ironman Punta Del Este no Uruguai em dezembro, onde almejo finalizar entre os 5 primeiros colocados. Mas para mim, o “suprassumo” seria mesmo conseguir representar o veganismo em nível internacional, disputando o circuito mundial de ironman entre os profissionais e quem sabe conseguir conquistar os tão suados pontos necessários para poder disputar a final do campeonato mundial no Havaí.

9 – Nós, aspirantes, amadores, iniciantes ou demais atletas que são ou 
aspiram o veganismo, vemos em você uma grande referência. Para você, quem 
é, ou quem são,
 suas referências para a realização de suas conquistas?

Meus principais inspiradores fora do esporte são Henry David Thorreau e Gandhi por seus ensinamentos sobre desobediência civil e pela “luta” através da não-violência. Já no âmbito esportivo, meus heróis são todos aqueles atletas que ousaram pensar, ser e fazer diferente da grande massa. Em geral são os atletas “anônimos” que me servem de inspiração, pessoas próximas a mim, gente simples e guerreira, autênticos campeões, porém, esquecidos pelo próprio país. Eu não poderia deixar de destacar também minha gigantesca admiração por Amyr Klink, não somente, pelo grande espírito aventureiro que possui, mas principalmente por ser um homem simples, ético e totalmente comprometido em promover a sustentabilidade.

Em minha opinião, não são os melhores atletas que merecem o maior reconhecimento, mas sim, as melhores pessoas. Somente assim o esporte servirá como exemplo para toda uma nação. Mais do que títulos no esporte, um país precisa de atletas conscientes, pensantes e responsáveis, colecionadores de boas ações e não de medalhas, defensores de grandes causas e não do interesse próprio.

10 – Para finalizar, este blog está iniciando assim como eu, que estou 
iniciando na corrida e já me iniciei há algum tempo no ciclismo, e para
 aqueles, que por ventura,
 possam ler este blog, o que nos deixa como inspiração e reflexão?

Existem muitos crimes ocultos em nossa sociedade, por mais distantes dos supermercados e das lojas que esses crimes possam estar acontecendo, ainda assim existe cumplicidade. Não nos façamos de cegos e surdos, abramos os olhos, agucemos os ouvidos e gritemos o mais alto possível contra toda a crueldade e injustiça desse mundo.

No mais, só façam aquilo que vier da alma! Sejam autênticos, busquem sua verdadeira essência por mais diferente que ela seja. A única maneira de viver integralmente feliz é fazendo o que se ama. No final das contas, a única pessoa com quem você prestará contas no fim da vida, será você mesmo. Portanto, Carpe diem (aproveitem o dia)!

E lembrem-se, em termos universais não existe certo ou errado, o que existe é aquilo que nós consideramos certo ou errado.

Nascido para Correr – Christopher McDougall (A experiência de descobrir uma nova vida)

“Não quero que ninguém faça nada a não ser correr, divertir-se, dançar, comer e comemorar conosco. A arte de correr não serve para fazer os outros comprarem produtos. É preciso liberdade, cara” – Frase atribuída a Caballo Blanco extraída do livro que dá título a esse post.

Comecei a correr, e sempre fui e sou de ler muito sobre qualquer tema que me agrade. Então, por meio de alguns blogs, conheci este livro. Confesso, nunca li nada que me motivasse tanto a correr. Nunca li nada que fosse de encontro ao que penso, de certa forma, que correr é algo tão natural que parece que fomos nascidos para isto.

O livro, de uma forma muito única, conta a experiência de uma ultramaratona “improvisada” por Caballo Blanco no méxico juntamente com a tribo – considerada os melhores corredores do mundo – dos Tarahumara.

Caballo Blanco, que tem melhor sua história contada no livro, era vegetariano –  infelizmente este ano, ao decorrer da leitura deste livre, vim a ler que ele faleceu – assim como Scott Jurek, que é vegan, o livro aborda bastante  sobre alimentação, como também a forma de correr, o minimalismo das corridas e, em minha opnião, depois que você ler esse livro, nunca mais vai comprar um Nike.

O grupo que participou desta corrida, chamado depois de Mas Locos, tem sua história contada, seus costumes, alimentação e principalmente, como corriam e quando começaram a correr.

Recentemente li também a um livro chamado: Guia completo de corrida de FIXX, James F, publicado em 1977 e, neste livro, como a diferente de até poruco tempo os tênis usados para correr. Por isso talvez, tantas dores. Mas, no livro Nascidos para Correr, esse tema é abordado de uma forma muito clara e que vai de encontro ao que imagino: Talvez os solados do Nike seja bom para alguma coisa, mas não para correr.

O livro comenta sobre correr descalços, o próprio autor assume que tem essa prática em seu sítio. Na foto acima, você tem o Barefoot Ted, que fez o percurso da prova narrada no livro, de pouco mais de 70 quilômetros com suas Five Fingers. (Nem todos os modelos de Five Fingers são vegan).

O livro comenta sobre competições, mas acima de tudo, fala sobre paixão, amor e respeito o que é demostrado e narrado ao final do livro quando a “grande maratona” acontece.

Se você ler, vai querer correr!!!!

 

 

Tempo de Transição

As cidades forçam a aceleração de nossas vidas. Tudo é tão urgente que acostumamos a fazer para ontem, algo que nem sabemos se vamos terminar hoje.

 

O corpo tem seu tempo, e precisamos respeitar. Estou iniciando-me “na corrida minimalista”, e não adianta nada e sair querendo correr 10k e adquirir algum problema no calcâneo por simplesmente não saber respeitar o tempo do nosso corpo. Da adaptação do corpo, dos nervos e musculos que, durante muito tempo, gostavam de ficam em repouso, sem nada para fazer.

Acredite, estou aprendendo da pior forma isso ….

 

” DESEJO dizer uma palavra em nome da natureza, em nome da liberdade absoluta, em nome da amplidão, que contrastam com a liberdade e a cultura das cidades — no sentido de considerar o homem como um habitante da natureza, ou parte e parcela dela, e não como um elemento da sociedade.”  - Andar a Pé – Henry David Thoureau 

 

Anatomia do Ciclismo, Shannon Sovndal

Recentemente adquiri o Livro: Anatomia do Ciclismo, de Shannon Sovndal. Sovndal, atualmente médico da equipe profissional de ciclismo Garmin-Barracuda (equipe que David Zabriskie faz parte, o mesmo é vegan), descreve de forma simples como melhorar o treinamento e como o treinamento com peso pode ajudar na melhora como atleta em cima de uma bicicleta.

Quando eu comecei no ciclismo – a pouco tempo, diga-se de passagem – percebi que o mesmo era rodeado de mitos que muitos eu não sei se são verdades, como por exemplo: correr prejudica na pedalada e que musculação também prejudica na pedalada. Ao meu ver, o problema da musculação, para quem não tem a disponibilidade de um técnico, é que, quando se vai a uma academia para se exercitar, é difícil encontrar instrutores ou profissionais que se interessem para o desenvolvimento correto de exercícios que auxilem em cima de uma bicicleta. Essa não é uma reclamação minha, mas em minha experiência, tenho notado que a maioria das pessoas – mesmo um amigo meu que aspira o fisiculturismo – reclamam da falta de vontade e preparo dos instrutores de academia. Sendo, que uma equipe especializada de treinadores é mais cara, convém então, aprendermos algumas coisas para que não percamos tempo em um aparelho de academia.

O livro aborda os músculos que envonvem a pedalada juntamente com 74 exercícios que focam o aumento de força e eficácia de movimento. Alguns deles você pode fazer em casa sem o auxílio de aparelhos, como por exemplo a “prancha”, que envolve os músculos do reto do abdomén, ajudando a fortalecer os músculos respiratórios que provém a entrada máxima de oxigênio. Outros exemplos seria a “prancha oblíqua”, “abdominal reverso”, “salto vertical bipodal”, entre outros.

Mas, o detalhe fica que o autor, aborda o músculo envolvido, o movimento para desenvolvimento de força e melhora motora, e o resultado disso em cima de uma bicicleta. Bem ilustrado, é um ótimo guia para se levar na academia e fazer seu trabalho para a melhora motora e de performance em cima de sua magrela.

Fica ai a dica de leitura….